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quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

"Férias com crianças não são férias!"

Ontem, ao ouvir a Prova Oral da Antena3, achei muito interessante um comentário de uma ouvinte que, depois de se ter apresentado como "mãe galinha", disse que "férias com crianças não são férias". Conversa puxa conversa e rapidamente alguém no estúdio (uma das convidadas, penso) disse que também de qualquer forma eles mais tarde não se iriam lembrar das viagens. Ou seja, pareceu ser por instantes, o consenso, levar crianças pequenas numa viagem de férias é por um lado uma "seca" para os pais e, por outro lado ainda, um desperdício de dinheiro! (pois a criancinha nem sequer vai ter memórias na idade adulta que justifiquem o preço pago para levar o pirralho).

Observei com atenção e deliciei-me com o leque alargado de objectivos que os pais podem ter quando... decidem tornar-se pais! Pois se uns querem sobretudo vivenciar novas e experiências e estados emocionais em conjunto com os recém-chegados, outros procuram criar alterações mínimas no seu estilo de vida e contribuir para uma rápida chegada das crianças a estágios de independência. Para a maior parte dos pais, será provavelmente desejada uma combinação destas duas atitudes, por forma a poderem envolver-se na vida dos seus filhos e simultaneamente poderem usufruir também dos seus momentos a sós ou com os seus parceiros românticos.

Serve este texto apenas e só para chamar a atenção para o aparente perigo que é tomar decisões em relação a crianças com base nas memórias que elas possam vir a guardar. É que se de facto os mecanismos de memória de longo prazo parecem estar completamente formados só a partir dos 4/5 anos, por outro é bem sabido que o período mais importante de influência dos pais sobre a progressão das redes neuronais dos filhos (e a parte das quais a que alguns convencionam chamar de "identidade") é precisamente nos primeiros 5 anos de vida!

Ou seja, claro que podemos optar por deixar os filhos em casa quando vamos para férias, no problem. Agora querer que isto não deixe qualquer tipo de impacto inconsciente sobre as crianças... Isso já será neurologicamente parvo! Dá que pensar, não dá?

2 comentários:

natália disse...

As memórias guardadas na memória implícita (inconsciente) podem causar grandes problemas/traumas na vida, se a pessoa não é capaz de as fazer integrar (fazer sentido do sucedido). Por isso há muitas pessoas que têm comportamentos que nem sabem explicar muito bem (ataques de raiva, irritabilidade extrema, botões quentes) e infelizmente também não sabem lá muito bem como integrar essas memórias inconscientes de modo a ultrapassar esses comportamentos.
Gosto muito os livros do Daniel Siegel a falar sobre o assunto ;)

Pedro Vieira disse...

Na minha experiência, tanto as técnicas de PNL como as de hipnose são muitas vezes adequadas a esse enquadramenta, Natália.
Obrigado pela dica dos livros do Daniel Siegel!