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sábado, 1 de janeiro de 2011

Maratona de Ano Novo!




Acordei. Último dia do ano de 2010. A preguiça apoderou-se do meu corpo, resistindo ao facto de serem apenas 6h da manhã e de ter tido pouco mais de quatro horas de sono. E então lembrei-me...

No dia 22 de Dezembro, estando no Sul da Suécia a gozar umas merecidas férias de Natal com a minha família, fiz a minha primeira incursão de corrida na neve. No dia 5 de Dezembro. havia terminado penosamente a Maratona de Lisboa em 4h45 e tinha decidido que descansaria até final do ano. Mas a neve, tão apetitosa, chamou por mim! O primeiro treino foi muito divertido, ao longo de 7 kms enfrentei a temperatura (-12º) com um sentimento infantil, fascinado pelo som das sapatilhas a mergulharem na neve. Com um ritmo reduzido pela neve e com a respiração dificultada pelo frio, ainda assim mantive uns 6'00/km.

No dia seguinte voltei a correr e quando cheguei a casa disse à minha companheira que tinha acabado de definir um novo objectivo, correr uma meia maratona até final do ano. Poucas horas depois, a minha cunhada, chegada de Copenhaga, diz-me que alguns colegas de trabalho vão correr uma Meia Maratona no dia 31.12, a Social Marathon. Fiquei super entusiasmado, agradeci a sincronicidade ao Universo e decidi ali mesmo que iria testar a minha corrida no frio. Logo depois ela deixou escapar que também havia Maratona completa... Ups!

Correr na neve é como parecido com correr na areia, há que levantar um pouco mais os joelhos. A maior dificuldade é mesmo aprender a ler os sinais corporais. Durante os primeiros treinos não fazia ideia se tinha sede ou não, se estava com frio ou calor, se devia usar mais ou menos roupa, se estava na hora de ingerir algum alimento... Mesmo assim, fiquei satisfeito com a minha reacção ao novo cenário e lá foi crescendo dentro de mim a vontade de me "mandar" para a Maratona completa, apesar de apenas ter corrido esta distância duas vezes na minha vida (Maratonas do Porto 2007 e Lisboa 2010).

Na viagem de avião para terras nórdicas tinha lido "Nascidos para Correr", que criou forte impacto no meu sistema de crenças e acabou por me impulsionar a levar os treinos até aos 15kms, no dia de Natal. Ainda assim, apenas na véspera da Corrida, decidi contactar a organização e avisar que afinal me queria juntar aos maratonistas.

No dia 31, lá me levantei então, enfrentei a noite e o frio, apanhando o comboio para Copenhaga (passando pela c+elebre ponte que une Suécia e Dinamarca). Durante a noite a temperatura tinha subido até uns perigosos 0º, o que queria dizer que havias fortes possibilidades de alguma neve descongelar e congelar outra vez, transformando-se em perigosas camadas de gelo, sobre o qual é virtualmente impossível caminhar em segurança, quanto mais correr! Aliás, a primeira passada fora de casa resultou imediatamente numa quase queda!

Cheguei a Copenhaga pouco antes da 8h, apanhei o metro e às 8h30 estava no local de levantamento dos dorsais. A Social Marathon é um evento peculiar, sem cronómetro, os participantes inscrevem-se em grupos consoante o tempo que acham que vão fazer. Eu juntei-me o grupo das 4h30, embora com claras dúvidas de que pudesse aguentar o ritmo. O percurso é constituído por um circuito de 21.092 mts, que os maratonistas percorrem duas vezes, uma em cada direcção. Os grupos vão saindo alternadamente em sentidos opostos, o que garante que durante a corrida nos cruzamos muitas vezes, originando um ambiente de estímulo recíproco. Muito bom!

Durante a prova existem várias estações de abastecimento muito bem compostas, onde os grupos param para se reagrupar, o que garante em média 2 a 3 minutos de boa disposição com um copo de chá quente e bolo de chocolate!

Às 8h45 partimos, liderados por um jovem de 62 anos (Jens Rua) com uma pedalada impressionante e que zelou ao longo de toda a prova pelos cerca de 60 corredores do meu grupo (no total cerca de 300 pessoas participaram neste evento/ celebração).

Durante a corrida, as minhas crenças pessoais foram sendo sucessivamente arrasadas, e aqui reside o principal ponto de interesse para o Neuroestratega que acompanha este blogue...

Primeira conversa longa com um oficial do exercito dinamarquês, recentemente de volta do Iraque, e que me afirma que está a completar a sua 21.ª maratona... de 2010! Dei-lhe os parabéns pelo feito e logo ele dirige a minha atenção para um outro membro do grupo que está a realizar a sua 120ª maratona do ano... Imaginem, uma maratona de 3 em 3 dias ao longo de um ano inteiro! E durante a corrida, encontrei ainda o recordista de maratonas da Dinamarca (com mais de 400) e o da Suécia (com mais de 700). Devo confessar que estes super maratonistas me ajudaram a ver com energia redobrada a minha capacidade de completar esta prova!



A passagem por alguns lugares interessantes da cidade de Copenhaga foi totalmente ofuscada pelos vários quilómetros de corrida na praia. Com a água congelada e o areal transfigurado pela neve, pareceu-me mesmo que estávamos a correr... na Lua! A fina camada de gelo que cobria o passeio pedonal transformou esses quilómetros numa verdadeira aventura de sobrevivência, muito dura para as articulações do tornozelo e joelho, bem testadas pelo irregularidade do duro piso.

Com a energia transmitida por este grupo de super corredores cheguei sem dificuldades de maior aos 30kms e a partir daí tive que cerrar 2 ou 3 vezes os dentes para fazer face aos sinais da "parede", desta vez bem gelada!

O último chá, aos 37kms, foi um tónico extraordinário para enfrentar a derradeira etapa com um sorriso na cara e chegar ao final em 4h37, ligeiramente atrás da cabeça do grupo. Os corredores reuniram-se depois para champanhe e um mega desejo de Feliz Ano Novo!

Esta foi a primeira prova em que, cheio de convicção, escrevi o nome de Porto Runners (clube ao qual recentemente aderi) aquando da inscrição, acredito que deixei o clube bem representado!

A melhor recordação que trouxe de Copenhaga, para além de um convívio fenomenal com homens e mulheres de todas as idades com um estilo de vida activo e saudável, foi a crença redobrada na capacidade que todos temos de ultrapassar os obstáculos que se nos apresentam desde que possuamos um motivo suficientemente forte para o fazer. O meu motivo foi o de representar nesta corrida o meu ano de 2010, que conteve alguns dos maiores desafios da minha vida e que, tal como esta Maratona, foram sendo ultrapassados um a um... Isso já são histórias para outro post, no entanto!

Boas corridas em 2011 (as literais e as metafóricas)!

3 comentários:

Alexandre Caramez disse...

É claro que representaste os PR muito bem Pedro. Parabéns, e como já "escrevemos" hoje, para ano lá estarei contigo, sim ou sim?
Obrigado por seres um atleta aplicado, consciente, fantástico e inspirador.
Aguardo a tua volta! :)

Paulo Lontro disse...

Excelente escolha Pedro.
Os teus motivos são-me muito inspiradores.

Ricardo Peixe disse...

É muito bonita a forma como partilhas os mmomentos mais simples e impactantes!
Obrigado!