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sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

O Efeito Placebo e a Saúde

Ontem à noite, por sugestão da irmã da minha companheira, tive acesso ao episódio de estreia de uma nova série da TV dinamarquesa dedicado ao estudo de questões da psique. Neste programa inaugural, foram entrevistados vários especialistas e investigadores da área médica nos Estados Unidos, Itália e Dinamarca. Foram apresentados vários estudos, dos quais irei dando conta aqui no blogue nas próximas semanas. Chamou-me a atenção, pela sua expressividade, este caso, documentado com imagens...



1. Foi constituído na Dinamarca um grupo de estudo da depressão e do impacto dos medicamentos anti-depressivos (um dos grandes mistérios da medicina actual... funcionam? como exactamente?)

2. Como habitualmente metade dos pacientes (clinicamente deprimidos) foi tratado apenas com recurso a um placebo (cápsulas inócuas, simulando o medicamento "real")

3. Um dos elementos do estudo, severamente deprimido, teve uma zanga com a namorada e decidiu suicidar-se, engolindo na totalidade o conteúdo do frasco que lhe tinha sido entregue para administração diárias das cápsulas

4. O rapaz deu entrada nas urgências do hospital com frequência cardíaca em repouso de 110, tensão arterial 8/4 e outros sintomas resultado da overdose.

5. Após várias horas de tentativas do staff médico para fazer o sistema do rapaz voltar ao seu funcionamento normal, através dos procedimentos habituais nestes casos, os parâmetros mantiveram-se e os médicos temeram o pior.

6. Foi chamado ao local o responsável pelo estudo, que rapidamente informou o rapaz que ele se encontrava no grupo a quem tinha sido entregue o placebo.

7. Em 15 minutos os parâmetros voltaram ao normal e o rapaz deixou as urgências.

Deveras interessante e a deixar espaço para algumas questões pessoais:

a) será que todos temos a capacidade de, de acordo com aquilo em que acreditamos, alterar de forma rápida e significativa a forma como o nosso sistema funciona?

b) será que mais do que termos ou não essa capacidade, essa é simplesmente a forma como o nosso sistema funciona... sempre?

c) se sim, que tipo de funcionamento tem o meu sistema agora e... como estou a fazê-lo? Se não gosto dos resultados, como vou alterá-los?

O que acha sobre este tema?

7 comentários:

Telmo Abreu Silva disse...

É como a tão falada questão das pulseiras PB. De facto era de ficar céptico desde o início sobre a credibilidade dos argumentos dados em defesa da pulseira (falo de provas científicas) mas de facto, as pessoas que acreditam que a pulseira aumenta o equilíbrio (ou qualquer outra coisa que os valham) vão ver o seu equilíbrio melhorado, não pela pulseira obviamente mas pela crença de que aquilo funciona.

O mesmo com os objectivos... se acreditarmos que vamos conseguir atingir um determinado objectivo, iremos estar mais propensos a tomar decisões que nos levem no caminho certo (é correcto?).

Pode-se dizer que estamos reféns dos caprichos da nossa mente.

spritof disse...

a) Sim!
b) Nim...
c) Com treino... muuuuito treino! Contudo, é preciso primeiro vencer (no meu caso) a preguiça e a indisciplina, (e para a sociedade em geral) os dogmas, as ideias erradas e pré-concebidas, as cabeças duras, os excessos e abusos e oportunistas, os extremistas, a cultura em geral... que deveria ser desconstruída e construída de novo!

Há tanta informação por aí... e tanta aplicação errada e enganadora que até dói.

Mas porque é que eu não o faço?
...pois... preguiça, indisciplina, falta de planeamento, ...

Parece-me que tenho algo a fazer!!

:)

E por cusiosidade...

...a palavra de verificação para colocação deste comentário é "deficil"...

Coincidências, hein?

("deficil" que se assemelha a "difícil")

FM disse...

Muito interessante! Trabalhando em saúde frequentemente vejo o "efeito placebo" em acção. Infelizmente tomou uma conotação negativa, relegando os beneficiários deste efeito para o campo da psiquiatria...
Quantas vezes observo melhoras nos meus pacientes mais pelo forma como os trato do que pelo tratamento administrado! Por outro lado é gritante a degradação fisica de pacientes depressivos.
Duas notas:
1- O tratamento placebo deveria ser usado mais frequentemente como um "potenciador de cura" sem efeitos secundários.
2- Esta experiência poderá explicar algumas sobrevivências "misteriosas" e algumas "decisões" de morte.

Pedro Vieira disse...

@Telmo, talvez não sejamos "reféns dos caprichos da mente" e talvez possamos sim escolher os tais caprichos! O que nos poria numa agradável situação de escolha/controlo da mente e dos seus resultados!

Pedro Vieira disse...

@FM, é isso mesmo! A relevância do efeito placebo poderá indicar que talvez seja interessante potenciar este efeito para acelerar a cura. Tenho estado mais atento à produção intencional deste efeito junto das pessoas que me rodeiam. O mais importante parece ser construir o "placebo" em torno das suas crenças actuais. Se forem em volta de medicamentos, então criemos medicamentos placebo. Se forem em torno de pulseiras, orações, mantras, sinais, ou outra coisa qualquer... então... "placebe-se" ;-)

Ze disse...

É caso para dizer: está tudo plecebido

Alfa Universo disse...

Grande Exemplo Pedro :) Diz-nos muito àcerca do nosso verdadeiro poder.