
1. Foi constituído na Dinamarca um grupo de estudo da depressão e do impacto dos medicamentos anti-depressivos (um dos grandes mistérios da medicina actual... funcionam? como exactamente?)
2. Como habitualmente metade dos pacientes (clinicamente deprimidos) foi tratado apenas com recurso a um placebo (cápsulas inócuas, simulando o medicamento "real")
3. Um dos elementos do estudo, severamente deprimido, teve uma zanga com a namorada e decidiu suicidar-se, engolindo na totalidade o conteúdo do frasco que lhe tinha sido entregue para administração diárias das cápsulas
4. O rapaz deu entrada nas urgências do hospital com frequência cardíaca em repouso de 110, tensão arterial 8/4 e outros sintomas resultado da overdose.
5. Após várias horas de tentativas do staff médico para fazer o sistema do rapaz voltar ao seu funcionamento normal, através dos procedimentos habituais nestes casos, os parâmetros mantiveram-se e os médicos temeram o pior.
6. Foi chamado ao local o responsável pelo estudo, que rapidamente informou o rapaz que ele se encontrava no grupo a quem tinha sido entregue o placebo.
7. Em 15 minutos os parâmetros voltaram ao normal e o rapaz deixou as urgências.
Deveras interessante e a deixar espaço para algumas questões pessoais:
a) será que todos temos a capacidade de, de acordo com aquilo em que acreditamos, alterar de forma rápida e significativa a forma como o nosso sistema funciona?
b) será que mais do que termos ou não essa capacidade, essa é simplesmente a forma como o nosso sistema funciona... sempre?
c) se sim, que tipo de funcionamento tem o meu sistema agora e... como estou a fazê-lo? Se não gosto dos resultados, como vou alterá-los?
O que acha sobre este tema?
7 comentários:
É como a tão falada questão das pulseiras PB. De facto era de ficar céptico desde o início sobre a credibilidade dos argumentos dados em defesa da pulseira (falo de provas científicas) mas de facto, as pessoas que acreditam que a pulseira aumenta o equilíbrio (ou qualquer outra coisa que os valham) vão ver o seu equilíbrio melhorado, não pela pulseira obviamente mas pela crença de que aquilo funciona.
O mesmo com os objectivos... se acreditarmos que vamos conseguir atingir um determinado objectivo, iremos estar mais propensos a tomar decisões que nos levem no caminho certo (é correcto?).
Pode-se dizer que estamos reféns dos caprichos da nossa mente.
a) Sim!
b) Nim...
c) Com treino... muuuuito treino! Contudo, é preciso primeiro vencer (no meu caso) a preguiça e a indisciplina, (e para a sociedade em geral) os dogmas, as ideias erradas e pré-concebidas, as cabeças duras, os excessos e abusos e oportunistas, os extremistas, a cultura em geral... que deveria ser desconstruída e construída de novo!
Há tanta informação por aí... e tanta aplicação errada e enganadora que até dói.
Mas porque é que eu não o faço?
...pois... preguiça, indisciplina, falta de planeamento, ...
Parece-me que tenho algo a fazer!!
:)
E por cusiosidade...
...a palavra de verificação para colocação deste comentário é "deficil"...
Coincidências, hein?
("deficil" que se assemelha a "difícil")
Muito interessante! Trabalhando em saúde frequentemente vejo o "efeito placebo" em acção. Infelizmente tomou uma conotação negativa, relegando os beneficiários deste efeito para o campo da psiquiatria...
Quantas vezes observo melhoras nos meus pacientes mais pelo forma como os trato do que pelo tratamento administrado! Por outro lado é gritante a degradação fisica de pacientes depressivos.
Duas notas:
1- O tratamento placebo deveria ser usado mais frequentemente como um "potenciador de cura" sem efeitos secundários.
2- Esta experiência poderá explicar algumas sobrevivências "misteriosas" e algumas "decisões" de morte.
@Telmo, talvez não sejamos "reféns dos caprichos da mente" e talvez possamos sim escolher os tais caprichos! O que nos poria numa agradável situação de escolha/controlo da mente e dos seus resultados!
@FM, é isso mesmo! A relevância do efeito placebo poderá indicar que talvez seja interessante potenciar este efeito para acelerar a cura. Tenho estado mais atento à produção intencional deste efeito junto das pessoas que me rodeiam. O mais importante parece ser construir o "placebo" em torno das suas crenças actuais. Se forem em volta de medicamentos, então criemos medicamentos placebo. Se forem em torno de pulseiras, orações, mantras, sinais, ou outra coisa qualquer... então... "placebe-se" ;-)
É caso para dizer: está tudo plecebido
Grande Exemplo Pedro :) Diz-nos muito àcerca do nosso verdadeiro poder.
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