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quinta-feira, 10 de março de 2011

A Política e o Causa/Efeito

Estar em causa é olhar para os resultados obtidos como consequências das próprias escolhas e das próprias reacções aos eventos externos.

Estar em efeito é olhar para os resultados obtidos como sendo produto de um conjunto de circunstâncias e eventos sem ligação com as escolhas próprias. Quando se está em efeito nega-se a oportunidade de aprendizagem, pois não se pode aprender com o que é alheio às nossas escolhas ou reacções.

De uma forma geral, as pessoas tendem a gostar pouco de quem está permanentemente em efeito, pois ao fim de algum tempo sentem-se cansadas de ouvir desculpas, acusações, queixas...

Vem isto a propósito do discurso de ontem do "novo" Presidente da República. Cada um poderá avaliar o discurso dentro do seu mapa mundo, gostar ou desgostar. Gostaria de contribuir com alguns comentários, dentro do espírito do causa/efeito:

- ao ouvir o discurso do Presidente Cavaco Silva, fica difícil imaginar que se trata da mesma pessoa que chefiou o executivo no período internacionalmente mais favorável talvez dos últimos 50 anos, e cujas escolhas durante esse período condicionaram a economia portuguesa até à actualidade. É que durante o seu discurso estiveram ausentes as ligações a esse período de fortes escolhas (lembram-se da política do cimento? ou das estratégias na educação?)

- torna-se difícil criar visões positivas do futuro, quando as alternativas apresentadas são tão genéricas (apostar na juventude...) que geram pouco em nenhum impacto sobre os outros, pois é no específico que reside o potencial de mudança.

O discurso afectou positivamente o contexto ou infectou negativamente o mesmo?

Para mim, essa é uma importante questão que um profissional da comunicação (como é o Presidente da República) deve colocar!

Ok, já chega de impor o meu mapa mundo, vamos lá ouvir os vossos!

5 comentários:

Ricardo Peixe disse...

Acho fascinante "ver" um comunicador de topo e muito treinado a filtrar a comunicação com filtros tão falíveis, emocionais e "inclinados" como todos nós... :)
O que os meus filtros me deixaram perceber:

- alguém que se colocou em causa e como parte da solução, chamando a si uma responsabilidade para neste mandato ser mais interventivo e influenciador a nível económico/social.

- começou por referir o ponto A, cingindo-se quase exclusivamente a dados estatísticos, sendo que na minha opinião faltou valorizar alguns aspectos positivos.

- as responsabilidades do PR são para os interesses de todos os cidadãos e o seu cargo está desprovido de qualquer poder legislativo/executivo, servindo principalmente para assegurar que a Assembleia da República e Governo cumpre a constituição.
Dentro deste enquadramento, o PR, apresentou medidas a nível estrutural, a nível conjuntural, dando exemplos de politicas, ações municipais, etc.

- terminou com um apelo à responsabilização, a emancipação popular, ao empreendedorismo, ao fazer sem que "esperem qualquer tipo de proteção ou de favores".

Agora deixo algumas questões:

Será que o período que Portugal viveu nos anos em que Cavaco Silva chefiou o governo foi favorável pela conjuntura internacional (efeito) ou pela ação que ele teve (causa)?

Será que as politicas que ele percursionou na altura foram as mais indicadas para a situação e 20 anos já não são? (Parece-me que a ponte Vasco da Gama até tem alguma utilização :)) Ou mesmo que não tenham sido, não terá o PR o mesmo direito à inteligência e mudar de opinião?

A mim pessoalmente influenciou-me positivamente, pois falou de algo que acredito ser uma das chaves do sucesso:
Assumir responsabilidade, arriscar e fazer acontecer.

Pedro Vieira disse...

O objetivo era oscultar outros mapas mundo, obrigado por teres partilhado o teu, Ricardo, achei os comentários muito pertinentes e sólidos! Abraço amigo!

Ricardo Peixe disse...

Sempre um prazer poder partilhar algo num blog onde tenho bebido tanto...
Abraço

Paulo Lontro disse...

Tendo a concordar em pleno com o Ricardo.
Pergunto-me mesmo, que vantagem adviria de retroceder às decisões de há 20 anos, tomadas em outros contextos e com experiencias válidas à luz dos anos 90.

Pedro Vieira disse...

@Paulo, aprender com experiências passadas para gerar melhores resultados no futuro?!