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quinta-feira, 5 de maio de 2011

As crianças e o foco

Nos últimos dias fui várias vezes confrontado com a questão da dificuldade das crianças em manterem o seu foco em determinadas tarefas. Pais, mães e professores interessam-se logicamente por esta questão e procuram informação sobre a questão. Assim, listo alguns comentários pessoais, na expectativa de que possam constituir do tributos válidos para quem se interessa por este tema. Comentem!

1. O que é o foco? Capacidade de manter atenção consciente a algo. Desde a década de 50 (com os estudos de Miller sobre o tema) que se aceita que temos uma capacidade limitada de processamento consciente de informação, podendo prestar atenção a 5 a 9 pedaços de informação em simultâneo. Quando dizemos que alguém tem dificuldade em focar-se talvez queiramos simplesmente dizer que esta pessoa tem é uma capacidade de se focar rapidamente em coisas diferentes!

2. Qual a razão pela qual uma criança deveria manter-se focada numa tarefa? Bem, provavelmente para gerar melhores resultados. Será que a criança está mesmo interessada nesses resultados? A minha filha consegue "distrair-se" três vezes enquanto faz uma simples cópia de UMA palavra no seu livro de português da primeira classe. Por outro lado consegue manter-se hipnotizada por uma actividade do seu interesse por horas a fio (série de televisão, um desenho para a mãe, um puzzle estimulante). Muitas vezes queremos que as crianças se foquem em tarefas que são pouco estimulantes, desagradáveis e até pouco eficientes. Não se interessar por elas é um claro sinal de inteligência por parte das crianças.

3. Quando não conseguimos acompanhar o ritmo e vivacidade de uma criança, despertando a sua curiosidade e atenção, estimulando-a verdadeiramente... Podemos dizer que ela tem dificuldade em manter-se focada em vez de dizermos que ainda não encontramos forma de captar o seu foco. Já interagi vezes suficientes com adultos em momentos de poucos recursos (incluindo eu, claro) para poder afirmar que a falta de foco da criança é frequentemente um mero sinal da incompetência momentânea do adulto. Muitas vezes esta incompetência é exercida por profissionais da comunicação com crianças, incluindo professores e terapeutas. Existem cursos e livros recheados de informação valiosa para profissionais que não estão a atingir resultados. Também existem drogas que se podem dar às crianças, embora a sua utilização seja apenas necessária nos casos em que o profissional da comunicação, além de incompetente, está também pouco interessado em aprender e fazer a diferença! (com as devidas e fundamentadas excepções médicas)

Este assunto é tão importante e interessante que será naturalmente alvo de mais entradas e referências cientificas.

PS Durante este post o meu foco foi várias vezes atraído por outros estímulos visuais, auditivos e cinestésicos. Espero que não me levem ao médico...

1 comentário:

Ricardo Peixe disse...

Isso de modificar o comportamento parece-me que será bem mais trabalhoso que um comprimido...

Será que a felicidade do nosso filho/a vale esse esforço?

Será que as aprendizagens que podemos retirar desse processo e aplicar na nossa vida profissional e pessoal valem sair assim da nossa zona de conforto e colocar-mo-nos em causa?

Quais são os momentos que ficam na nossa memória: os passados a tomar comprimidos ou aqueles em que a nossa mãe/pai se sentou ao nosso lado e comçou a fazer coisas diferentes?

Eu já fiz a minha escolha...