Ontem, ao ouvir a Prova Oral da Antena3, achei muito interessante um comentário de uma ouvinte que, depois de se ter apresentado como "mãe galinha", disse que "férias com crianças não são férias". Conversa puxa conversa e rapidamente alguém no estúdio (uma das convidadas, penso) disse que também de qualquer forma eles mais tarde não se iriam lembrar das viagens. Ou seja, pareceu ser por instantes, o consenso, levar crianças pequenas numa viagem de férias é por um lado uma "seca" para os pais e, por outro lado ainda, um desperdício de dinheiro! (pois a criancinha nem sequer vai ter memórias na idade adulta que justifiquem o preço pago para levar o pirralho).
Observei com atenção e deliciei-me com o leque alargado de objectivos que os pais podem ter quando... decidem tornar-se pais! Pois se uns querem sobretudo vivenciar novas e experiências e estados emocionais em conjunto com os recém-chegados, outros procuram criar alterações mínimas no seu estilo de vida e contribuir para uma rápida chegada das crianças a estágios de independência. Para a maior parte dos pais, será provavelmente desejada uma combinação destas duas atitudes, por forma a poderem envolver-se na vida dos seus filhos e simultaneamente poderem usufruir também dos seus momentos a sós ou com os seus parceiros românticos.
Serve este texto apenas e só para chamar a atenção para o aparente perigo que é tomar decisões em relação a crianças com base nas memórias que elas possam vir a guardar. É que se de facto os mecanismos de memória de longo prazo parecem estar completamente formados só a partir dos 4/5 anos, por outro é bem sabido que o período mais importante de influência dos pais sobre a progressão das redes neuronais dos filhos (e a parte das quais a que alguns convencionam chamar de "identidade") é precisamente nos primeiros 5 anos de vida!
Ou seja, claro que podemos optar por deixar os filhos em casa quando vamos para férias, no problem. Agora querer que isto não deixe qualquer tipo de impacto inconsciente sobre as crianças... Isso já será neurologicamente parvo! Dá que pensar, não dá?
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
"Férias com crianças não são férias!"
sábado, 1 de janeiro de 2011
Maratona de Ano Novo!
Acordei. Último dia do ano de 2010. A preguiça apoderou-se do meu corpo, resistindo ao facto de serem apenas 6h da manhã e de ter tido pouco mais de quatro horas de sono. E então lembrei-me...
No dia 22 de Dezembro, estando no Sul da Suécia a gozar umas merecidas férias de Natal com a minha família, fiz a minha primeira incursão de corrida na neve. No dia 5 de Dezembro. havia terminado penosamente a Maratona de Lisboa em 4h45 e tinha decidido que descansaria até final do ano. Mas a neve, tão apetitosa, chamou por mim! O primeiro treino foi muito divertido, ao longo de 7 kms enfrentei a temperatura (-12º) com um sentimento infantil, fascinado pelo som das sapatilhas a mergulharem na neve. Com um ritmo reduzido pela neve e com a respiração dificultada pelo frio, ainda assim mantive uns 6'00/km.
No dia seguinte voltei a correr e quando cheguei a casa disse à minha companheira que tinha acabado de definir um novo objectivo, correr uma meia maratona até final do ano. Poucas horas depois, a minha cunhada, chegada de Copenhaga, diz-me que alguns colegas de trabalho vão correr uma Meia Maratona no dia 31.12, a Social Marathon. Fiquei super entusiasmado, agradeci a sincronicidade ao Universo e decidi ali mesmo que iria testar a minha corrida no frio. Logo depois ela deixou escapar que também havia Maratona completa... Ups!
Correr na neve é como parecido com correr na areia, há que levantar um pouco mais os joelhos. A maior dificuldade é mesmo aprender a ler os sinais corporais. Durante os primeiros treinos não fazia ideia se tinha sede ou não, se estava com frio ou calor, se devia usar mais ou menos roupa, se estava na hora de ingerir algum alimento... Mesmo assim, fiquei satisfeito com a minha reacção ao novo cenário e lá foi crescendo dentro de mim a vontade de me "mandar" para a Maratona completa, apesar de apenas ter corrido esta distância duas vezes na minha vida (Maratonas do Porto 2007 e Lisboa 2010).
Na viagem de avião para terras nórdicas tinha lido "Nascidos para Correr", que criou forte impacto no meu sistema de crenças e acabou por me impulsionar a levar os treinos até aos 15kms, no dia de Natal. Ainda assim, apenas na véspera da Corrida, decidi contactar a organização e avisar que afinal me queria juntar aos maratonistas.
No dia 31, lá me levantei então, enfrentei a noite e o frio, apanhando o comboio para Copenhaga (passando pela c+elebre ponte que une Suécia e Dinamarca). Durante a noite a temperatura tinha subido até uns perigosos 0º, o que queria dizer que havias fortes possibilidades de alguma neve descongelar e congelar outra vez, transformando-se em perigosas camadas de gelo, sobre o qual é virtualmente impossível caminhar em segurança, quanto mais correr! Aliás, a primeira passada fora de casa resultou imediatamente numa quase queda!
Cheguei a Copenhaga pouco antes da 8h, apanhei o metro e às 8h30 estava no local de levantamento dos dorsais. A Social Marathon é um evento peculiar, sem cronómetro, os participantes inscrevem-se em grupos consoante o tempo que acham que vão fazer. Eu juntei-me o grupo das 4h30, embora com claras dúvidas de que pudesse aguentar o ritmo. O percurso é constituído por um circuito de 21.092 mts, que os maratonistas percorrem duas vezes, uma em cada direcção. Os grupos vão saindo alternadamente em sentidos opostos, o que garante que durante a corrida nos cruzamos muitas vezes, originando um ambiente de estímulo recíproco. Muito bom!
Durante a prova existem várias estações de abastecimento muito bem compostas, onde os grupos param para se reagrupar, o que garante em média 2 a 3 minutos de boa disposição com um copo de chá quente e bolo de chocolate!
Às 8h45 partimos, liderados por um jovem de 62 anos (Jens Rua) com uma pedalada impressionante e que zelou ao longo de toda a prova pelos cerca de 60 corredores do meu grupo (no total cerca de 300 pessoas participaram neste evento/ celebração).
Durante a corrida, as minhas crenças pessoais foram sendo sucessivamente arrasadas, e aqui reside o principal ponto de interesse para o Neuroestratega que acompanha este blogue...
Primeira conversa longa com um oficial do exercito dinamarquês, recentemente de volta do Iraque, e que me afirma que está a completar a sua 21.ª maratona... de 2010! Dei-lhe os parabéns pelo feito e logo ele dirige a minha atenção para um outro membro do grupo que está a realizar a sua 120ª maratona do ano... Imaginem, uma maratona de 3 em 3 dias ao longo de um ano inteiro! E durante a corrida, encontrei ainda o recordista de maratonas da Dinamarca (com mais de 400) e o da Suécia (com mais de 700). Devo confessar que estes super maratonistas me ajudaram a ver com energia redobrada a minha capacidade de completar esta prova!
A passagem por alguns lugares interessantes da cidade de Copenhaga foi totalmente ofuscada pelos vários quilómetros de corrida na praia. Com a água congelada e o areal transfigurado pela neve, pareceu-me mesmo que estávamos a correr... na Lua! A fina camada de gelo que cobria o passeio pedonal transformou esses quilómetros numa verdadeira aventura de sobrevivência, muito dura para as articulações do tornozelo e joelho, bem testadas pelo irregularidade do duro piso.
Com a energia transmitida por este grupo de super corredores cheguei sem dificuldades de maior aos 30kms e a partir daí tive que cerrar 2 ou 3 vezes os dentes para fazer face aos sinais da "parede", desta vez bem gelada!
O último chá, aos 37kms, foi um tónico extraordinário para enfrentar a derradeira etapa com um sorriso na cara e chegar ao final em 4h37, ligeiramente atrás da cabeça do grupo. Os corredores reuniram-se depois para champanhe e um mega desejo de Feliz Ano Novo!
Esta foi a primeira prova em que, cheio de convicção, escrevi o nome de Porto Runners (clube ao qual recentemente aderi) aquando da inscrição, acredito que deixei o clube bem representado!
A melhor recordação que trouxe de Copenhaga, para além de um convívio fenomenal com homens e mulheres de todas as idades com um estilo de vida activo e saudável, foi a crença redobrada na capacidade que todos temos de ultrapassar os obstáculos que se nos apresentam desde que possuamos um motivo suficientemente forte para o fazer. O meu motivo foi o de representar nesta corrida o meu ano de 2010, que conteve alguns dos maiores desafios da minha vida e que, tal como esta Maratona, foram sendo ultrapassados um a um... Isso já são histórias para outro post, no entanto!
Boas corridas em 2011 (as literais e as metafóricas)!
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
Hipnose e Cirurgia
Em 2007, o Journal of the National Cancer Institute (EUA) publicou um interessante estudo sobre a utilização de hipnose em pacientes prestes a submeter-se a cirurgias relacionadas com cancro da mama.
Neste estudo, as pacientes que se submeteram a uma sessão de 15 minutos de hipnose com um psicólogo antes da cirurgia reportaram menos dor, menos náuseas, fadiga e stress emocional do que o grupo de controlo. Mais interessante ainda, o grupo das "hipnotizadas" necessitou de menos anestesia durante a operação.
Para além de todos os resultados pessoais obtidos pelas pacientes, há ainda a considerar uma poupança média de 700 dólares por paciente por diminuição do tempo necessário na sala de operações!
Nos seus primeiros workshops, na década de 70, John Grinder e Richard Bandler, co-criadores da Programação Neuro-Linguística, costumavam intrigar os participantes (muitas vezes psicólogos, psiquiatras e outros terapeutas) com as aparentemente conflituosas afirmações sucessivas de que "a hipnose não existe" e "tudo é hipnose".
Depois de estudar este fenómeno durante algum tempo, consegui realmente perceber aquilo que eles queriam dizer (até porque tive a possibilidade de estudar directamente com o John Grinder e perguntar!)... Aí vai... O facto é que...
A hipnose não existe
E
tudo é hipnose!
Dá que pensar, não é?
Neste estudo, as pacientes que se submeteram a uma sessão de 15 minutos de hipnose com um psicólogo antes da cirurgia reportaram menos dor, menos náuseas, fadiga e stress emocional do que o grupo de controlo. Mais interessante ainda, o grupo das "hipnotizadas" necessitou de menos anestesia durante a operação.
Para além de todos os resultados pessoais obtidos pelas pacientes, há ainda a considerar uma poupança média de 700 dólares por paciente por diminuição do tempo necessário na sala de operações!
Nos seus primeiros workshops, na década de 70, John Grinder e Richard Bandler, co-criadores da Programação Neuro-Linguística, costumavam intrigar os participantes (muitas vezes psicólogos, psiquiatras e outros terapeutas) com as aparentemente conflituosas afirmações sucessivas de que "a hipnose não existe" e "tudo é hipnose".
Depois de estudar este fenómeno durante algum tempo, consegui realmente perceber aquilo que eles queriam dizer (até porque tive a possibilidade de estudar directamente com o John Grinder e perguntar!)... Aí vai... O facto é que...
A hipnose não existe
E
tudo é hipnose!
Dá que pensar, não é?
sábado, 25 de dezembro de 2010
Manifesto de Natal
Dia de Natal, neve em todo o lado (estou na Suécia), o silêncio que acompanha o manto branco domina a paisagem...
Tempo de celebrar com a família, tempo de reconhecer (pelo menos é o que fazem a maior parte das pessoas) que aqueles de quem gostamos são a coisa mais importante do mundo e que também no nosso coração há um espaço para aqueles de quem não gostamos e até para aqueles que nem sequer conhecemos. Há quem diga que é o espírito humano no seu melhor. Muitos cientistas diriam apenas que é a nossa moral inata, aquela com que nascemos, a assumir o controlo do nosso cérebro, passando por cima de algumas das nossas emoções "mundanas" e dando-nos a sentimentos que, por estarem codificados geneticamente, nos parecem verdadeiramente transcendentes e "religiosos"!
Pessoalmente, escrevo para mim este manifesto de Natal, se quiser pode fazê-lo seu! ;-)
1. Que esta noção de prioridades possa manter-se ao longo dos meus dias, sabendo que a dinâmica eu/outros entrega máximos resultados emocionais quando me foco nos "outros" para sentir o melhor do "eu" e desenvolvo o "eu" para poder servir/ligar-me da melhor forma aos "outros"
2. Que a saudável vontade de ser reconhecido/amado pelos outros (metaforizada nos presentes natalícios) possa ser assente na vontade de reconhecer/amar os outros primeiro!
3. Que a vontade de aprender/desaprender/crescer possa ser sempre movida pela mesma curiosidade com que desembrulhamos um presente com uma forma inusitada, e que possa apreciar os presentes da vida até quando são simples "meias".
4. Que a boa disposição infantil com que faço coisas novas por estes dias (como sair para a noite gelada vestido de Pai Natal para alegrar a noite dos miúdos) se manifeste todos os dias, para que assim possa alargar zonas de conforto e ser mais e melhor!
Ahhhhhh, o Natal é quando um homem quiser, ouvi dizer... Pois bem, "este" Natal quero todos os dias! E tu?
Tempo de celebrar com a família, tempo de reconhecer (pelo menos é o que fazem a maior parte das pessoas) que aqueles de quem gostamos são a coisa mais importante do mundo e que também no nosso coração há um espaço para aqueles de quem não gostamos e até para aqueles que nem sequer conhecemos. Há quem diga que é o espírito humano no seu melhor. Muitos cientistas diriam apenas que é a nossa moral inata, aquela com que nascemos, a assumir o controlo do nosso cérebro, passando por cima de algumas das nossas emoções "mundanas" e dando-nos a sentimentos que, por estarem codificados geneticamente, nos parecem verdadeiramente transcendentes e "religiosos"!
Pessoalmente, escrevo para mim este manifesto de Natal, se quiser pode fazê-lo seu! ;-)
1. Que esta noção de prioridades possa manter-se ao longo dos meus dias, sabendo que a dinâmica eu/outros entrega máximos resultados emocionais quando me foco nos "outros" para sentir o melhor do "eu" e desenvolvo o "eu" para poder servir/ligar-me da melhor forma aos "outros"
2. Que a saudável vontade de ser reconhecido/amado pelos outros (metaforizada nos presentes natalícios) possa ser assente na vontade de reconhecer/amar os outros primeiro!
3. Que a vontade de aprender/desaprender/crescer possa ser sempre movida pela mesma curiosidade com que desembrulhamos um presente com uma forma inusitada, e que possa apreciar os presentes da vida até quando são simples "meias".
4. Que a boa disposição infantil com que faço coisas novas por estes dias (como sair para a noite gelada vestido de Pai Natal para alegrar a noite dos miúdos) se manifeste todos os dias, para que assim possa alargar zonas de conforto e ser mais e melhor!
Ahhhhhh, o Natal é quando um homem quiser, ouvi dizer... Pois bem, "este" Natal quero todos os dias! E tu?
domingo, 12 de dezembro de 2010
Neurolinguística AGORA!
Ontem à noite estive a facilitar, em Lisboa, um workshop de Introdução à NeuroLinguística, com cerca de 50 pessoas presentes. Ao longo dos 12 últimos meses, tivemos mais de 500 pessoas nos workshops de PNL, certificamos 57 Practitioners e temos os nossos próximos cursos de Practitioner em Janeiro (Porto), Março (Lisboa) e Master Practitoner em Maio (Algarve)... quase esgotados.
De onde vem este interesse pela PNL, uma área do conhecimento que já existe há quatro décadas? Bem, acredito que o bom trabalho que tenho feito, juntamente com a equipa da LIFE Training, seja uma das explicações... Há mais! Correndo o risco de fazer ecoar uma voz semelhante às dos profetas New Age, parece existir realmente um número crescente de pessoas que ganha um novo sentido crítico em relação à sua vida e aos seus resultados e procurar novas aprendizagens/abordagens que lhe permita sair do buraco emocional em que se possa encontrar...
No meu dia-a-dia, trabalhando com equipas empresariais ou despotivas, com adultos ou adolescentes, com homens ou mulheres, vou encontrando padrões fascinantes, que me permitem compreender um pouco melhor este extraordinário ser humano (e assim, vou-me também descobrindo e compreendendo a mim, o que é um efeito residual magnífico). Estes padrões são um passo maravilhoso de ligação entre o indíviduo e a estrutura. É que quando conseguimos chegar à estrutura, ganhamos o súbito poder de, num bater de coração, alterarmos tudo!
Escreve Eduardo Punset, o inspirado divulgador científico espanhol, que é urgente aprender a desaprender! Ensinou-me isso mesmo a PNL e nunca como hoje o consegui dizer tão bem. Usando Punset, a PNL ensinou-me desensinando-me e que mais poderia eu desejar?
Quando desaprendemos, ganhamos a possibilidade de voltar a aprender o mesmo (gerando o mesmo resultado) ou aprender coisas diferentes (nem melhores, nem piores, simplesmente diferentes). Ora, dessa forma, enriquecemos a a nossa diversidade informativa neuronal, ampliamos o nosso leque de escolhas e incrementamos a flexibilidade comportamental.
Neste processo ainda afrouxamos a noção de identidade e ego. Até Eckhart Tolle ficaria satisfeito!
Nas últimas semanas tive oportunidade de contactar com muitas das pessoas que certifiquei (em nome da International Trainers Association) como Practitioners de PNL. E pude observar com os meus sentidos bem despertos sinais extraordinários de desenvolvimento, que é como quem diz, novas e redobradas capacidades de escolha emocional. E quem é capaz de, equilibrando os processos limbícos e corticais, produzir escolhas eficientes (as melhores das quais inconscintes!) sente algo que, embora nem sempre fácil de narrar, se observa com carinho e emoção.
Um dia, as meta estruturas da PNL (com este ou outro nome, pois isso é o que menos importa) serão apresentadas, discutidas e treinadas no início do período escolar. Ou até bem antes, com pais informados e atentos a ajudarem os seus filhos a aprenderem e desaprenderem ao ritmo dos resultados pretendidos pelas crianças. Até esse dia chegar, o projecto de uns tornar-se-á o projecto de muitos. Obrigado pelo seu contributo!
De onde vem este interesse pela PNL, uma área do conhecimento que já existe há quatro décadas? Bem, acredito que o bom trabalho que tenho feito, juntamente com a equipa da LIFE Training, seja uma das explicações... Há mais! Correndo o risco de fazer ecoar uma voz semelhante às dos profetas New Age, parece existir realmente um número crescente de pessoas que ganha um novo sentido crítico em relação à sua vida e aos seus resultados e procurar novas aprendizagens/abordagens que lhe permita sair do buraco emocional em que se possa encontrar...
No meu dia-a-dia, trabalhando com equipas empresariais ou despotivas, com adultos ou adolescentes, com homens ou mulheres, vou encontrando padrões fascinantes, que me permitem compreender um pouco melhor este extraordinário ser humano (e assim, vou-me também descobrindo e compreendendo a mim, o que é um efeito residual magnífico). Estes padrões são um passo maravilhoso de ligação entre o indíviduo e a estrutura. É que quando conseguimos chegar à estrutura, ganhamos o súbito poder de, num bater de coração, alterarmos tudo!
Escreve Eduardo Punset, o inspirado divulgador científico espanhol, que é urgente aprender a desaprender! Ensinou-me isso mesmo a PNL e nunca como hoje o consegui dizer tão bem. Usando Punset, a PNL ensinou-me desensinando-me e que mais poderia eu desejar?
Quando desaprendemos, ganhamos a possibilidade de voltar a aprender o mesmo (gerando o mesmo resultado) ou aprender coisas diferentes (nem melhores, nem piores, simplesmente diferentes). Ora, dessa forma, enriquecemos a a nossa diversidade informativa neuronal, ampliamos o nosso leque de escolhas e incrementamos a flexibilidade comportamental.
Neste processo ainda afrouxamos a noção de identidade e ego. Até Eckhart Tolle ficaria satisfeito!
Nas últimas semanas tive oportunidade de contactar com muitas das pessoas que certifiquei (em nome da International Trainers Association) como Practitioners de PNL. E pude observar com os meus sentidos bem despertos sinais extraordinários de desenvolvimento, que é como quem diz, novas e redobradas capacidades de escolha emocional. E quem é capaz de, equilibrando os processos limbícos e corticais, produzir escolhas eficientes (as melhores das quais inconscintes!) sente algo que, embora nem sempre fácil de narrar, se observa com carinho e emoção.
Um dia, as meta estruturas da PNL (com este ou outro nome, pois isso é o que menos importa) serão apresentadas, discutidas e treinadas no início do período escolar. Ou até bem antes, com pais informados e atentos a ajudarem os seus filhos a aprenderem e desaprenderem ao ritmo dos resultados pretendidos pelas crianças. Até esse dia chegar, o projecto de uns tornar-se-á o projecto de muitos. Obrigado pelo seu contributo!
terça-feira, 16 de novembro de 2010
Açores, chuva e ressignificação
Ontem à noite, ao chegar ao Aeroporto João Paulo II em Ponta Delgada, e perante a chuva forte que parecia ter caído, fiz um daqueles comentários de circunstância ao Chico, que me tinha ido buscar ao aeroporto:
- Isto está de chuva, ah?
A resposta saiu pronta...
- Ainda bem, pois só assim os Açores podem ter o verde de que os visitantes tanto gostam!
É bom perceber que a estratégia da ressignificação é tão bem utilizada por tanta gente neste mundo. Olhar para um evento externo e descrevê-lo a partir de uma estrutura frásica do género:
1. Isto é óptimo, pois...
2. Ainda bem que isto aconteceu, pois...
3. Adoro isto, pois...
É curioso como, com excepção de eventos de forte carga emocional negativa, facilmente nos conseguimos referir nestes moldes aos acontecimentos externos que pontuam as nossas vidas.
Imagine por uns instantes que os nossos líderes políticos (governantes e opositores) começavam as suas intervenções por uma das três estruturas atrás propostas. Uau, era incrível! Aliás, vai ser incrível, pois mais tarde ou mais cedo a ressignificação positiva vai chegar à política! (se é político e quer saber como se faz, envie-me um email!)
Agora, imagine que os nossos editores de jornais e telejornais também se rendiam ao poder da ressignificação positiva. Podia continuar com as mesmas notícias, aprenderiam a usar prismas diferentes. Continuavam a informar e passavam também a influenciar positivamente. Era fantástico! Aliás, vai ser fantástico, pois mais tarde ou mais cedo, a ressignificação positica vai chegar aos media! (já chegou a alguns, se é editor e quer saber como utilizar esta poderosa técnica... mande-me um email).
É que para haver Açores verdes... é necessário haver chuva!
- Isto está de chuva, ah?
A resposta saiu pronta...
- Ainda bem, pois só assim os Açores podem ter o verde de que os visitantes tanto gostam!
É bom perceber que a estratégia da ressignificação é tão bem utilizada por tanta gente neste mundo. Olhar para um evento externo e descrevê-lo a partir de uma estrutura frásica do género:
1. Isto é óptimo, pois...
2. Ainda bem que isto aconteceu, pois...
3. Adoro isto, pois...
É curioso como, com excepção de eventos de forte carga emocional negativa, facilmente nos conseguimos referir nestes moldes aos acontecimentos externos que pontuam as nossas vidas.
Imagine por uns instantes que os nossos líderes políticos (governantes e opositores) começavam as suas intervenções por uma das três estruturas atrás propostas. Uau, era incrível! Aliás, vai ser incrível, pois mais tarde ou mais cedo a ressignificação positiva vai chegar à política! (se é político e quer saber como se faz, envie-me um email!)
Agora, imagine que os nossos editores de jornais e telejornais também se rendiam ao poder da ressignificação positiva. Podia continuar com as mesmas notícias, aprenderiam a usar prismas diferentes. Continuavam a informar e passavam também a influenciar positivamente. Era fantástico! Aliás, vai ser fantástico, pois mais tarde ou mais cedo, a ressignificação positica vai chegar aos media! (já chegou a alguns, se é editor e quer saber como utilizar esta poderosa técnica... mande-me um email).
É que para haver Açores verdes... é necessário haver chuva!
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
As coisas que terminam com "ão"
A professora da primeira classe acaba de apresentar aos alunos o ditongo "ão", todos treinam durante alguns minutos e é depois lançada a questão:
- "Que palavras conhecem que acabam em ão"?
A minha filhota, sentada na última carteira da sala ("é onde a professora senta os meninos que se portam bem", diz-me ela), tem muita vontade de dar uma boa resposta só que "a cabeça não estava a pensar rápido e os outros meninos diziam as palavras mais depressa".
- "Mão".
- "Pão".
- "Limão".
As palavras sucedem-se e a miúda continua sem conseguir dar uma resposta, pois alguém se antecipa e diz a palavra em que ela estava a pensar...
Finalmente, a luz! Uma palavra que ainda não foi listada! O sorriso abre-se, com a certeza de que vai receber uma boa observação da professora. Inspira fundo, coloca a mão no ar, aguarda a sua vez e dispara...
- "Cagão".
- "Que palavras conhecem que acabam em ão"?
A minha filhota, sentada na última carteira da sala ("é onde a professora senta os meninos que se portam bem", diz-me ela), tem muita vontade de dar uma boa resposta só que "a cabeça não estava a pensar rápido e os outros meninos diziam as palavras mais depressa".
- "Mão".
- "Pão".
- "Limão".
As palavras sucedem-se e a miúda continua sem conseguir dar uma resposta, pois alguém se antecipa e diz a palavra em que ela estava a pensar...
Finalmente, a luz! Uma palavra que ainda não foi listada! O sorriso abre-se, com a certeza de que vai receber uma boa observação da professora. Inspira fundo, coloca a mão no ar, aguarda a sua vez e dispara...
- "Cagão".
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