O número deste mês do Journal of Occupational Health Psychology tem um interessante artigo sobre a ligação entre o impacto das experiências traumáticas na Guerra do Iraque (por parte de militares americanos) e as capacidades instaladas de "optimismo" e "resiliência".
Segundo os especialistas da Universidade do Michigan que conduziram o estudo foi encontrada evidência clara de que se os militares forem treinados para serem mais resilientes (ou seja, menos catastróficos e mais optimistas) terão a possibilidade de "funcionarem" melhor quando se encontram perante situações potencialmente traumáticas (morte de colegas, transporte de pessoas feridas, decisões de vida ou de morte, etc). O estudo indica ainda a possibilidade de estes militares com mais treino no pensamento optimista poderem vir a ter menos probabilidade de sofrerem de Stress Pós Traumático.
Felizmente, nas nossas vidas, lidamos habitualmente com situações com um menos potencial traumático. Embora também possamos estar expostos a situações limite, estas serão mais raras do que num cenário de guerra.
Assim, se o pensamento optimista funciona em cenários extremos, como funcionará nas nossas vidas? O que poderemos ganhar em desenvolver a resiliência, a noção de que no final as coisas correrão bem... a ideia de que o futuro será bom? Hoje vou pensar sobre isto...
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
Inspiração
Hoje, face ao elevado número de tarefas para os próximos dias, senti que seria bom receber alguma inspiração e... encontrei este vídeo. Foi-me muito útil ;-)
http://www.youtube.com/watch?v=O4TJk56elR0
Espero que gostem!
http://www.youtube.com/watch?v=O4TJk56elR0
Espero que gostem!
Comportamento Gera Comportamento
Levo a minha filha à escola, saindo de casa com antecedência suficiente (normalmente) para que cheguemos antes de "tocar". Ela está na primeira classe e nos primeiros dias ficava um pouco estressada com esta história do toque. Com o passar do tempo eu fui insistindo para que ela relaxasse e percebesse que, embora seja importante zelar para que se chegue a tempo, em caso de atraso esporádico... não viria mal ao mundo.

(fiz isto inspirado pelas leituras sobre pedagogia da minha companheira e nossas discussões sobre o eventual impacto negativo sobre o bem estar das crianças da criação de ambientes matinais de alta pressão... "tens de te vestir", "já tomaste o pequeno-almoço?", "já lavaste os dentes", "estamos atrasados!", etc)
Ora, na primeira vez em que realmente nos atrasamos, quando faltavam apenas uns minutos para a hora de entrada e ainda estávamos a um bom par de quilómetros da escola, informei a minha filhota de que iriamos chegar atrasados. Para minha surpresa, reagiu com perfeita normalidade e disse "não há problema, porque a professora também chega sempre atrasada"!
Depois de explorarmos um pouco a situação, ficou claro que a professora entra normalmente na escola já depois do toque. Achei interessante, pois a "pontualidade" é avaliada nas crianças! Quando chegamos à escola, por volta das 9h05, lá estava a professora, apontada pela miúda com o dedo, a entrar...
Comportamento gera comportamento! Professores atrasados geram alunos atrasados! Chefes desmotivados geram colaboradores desmotivados! Treinadores indisciplinados geram jogadores indisciplinados! Clientes abusivos geram empregados abusivos! Estados pouco transparentes geram cidadãos pouco transparentes!
No fim, quando os primeiros avaliam os segundos, estão na realidade a avaliar quem? Boa pergunta!

(fiz isto inspirado pelas leituras sobre pedagogia da minha companheira e nossas discussões sobre o eventual impacto negativo sobre o bem estar das crianças da criação de ambientes matinais de alta pressão... "tens de te vestir", "já tomaste o pequeno-almoço?", "já lavaste os dentes", "estamos atrasados!", etc)
Ora, na primeira vez em que realmente nos atrasamos, quando faltavam apenas uns minutos para a hora de entrada e ainda estávamos a um bom par de quilómetros da escola, informei a minha filhota de que iriamos chegar atrasados. Para minha surpresa, reagiu com perfeita normalidade e disse "não há problema, porque a professora também chega sempre atrasada"!
Depois de explorarmos um pouco a situação, ficou claro que a professora entra normalmente na escola já depois do toque. Achei interessante, pois a "pontualidade" é avaliada nas crianças! Quando chegamos à escola, por volta das 9h05, lá estava a professora, apontada pela miúda com o dedo, a entrar...
Comportamento gera comportamento! Professores atrasados geram alunos atrasados! Chefes desmotivados geram colaboradores desmotivados! Treinadores indisciplinados geram jogadores indisciplinados! Clientes abusivos geram empregados abusivos! Estados pouco transparentes geram cidadãos pouco transparentes!
No fim, quando os primeiros avaliam os segundos, estão na realidade a avaliar quem? Boa pergunta!
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
Objectivos SPIDER 2.0
No final da passada semana, em 2 workshops que contaram com mais de 230 participantes, tive a oportunidade de partilhar algumas aprendizagens sobre definição de objectivos que tenho feito desde o lançamento do método SPIDER.
A definição de objectivos surpreende-me diariamente pela sua simultânea simplicidade e transcendência. Quando alguém define objectivos para as várias áreas da sua vida de uma forma metodologicamente poderosa consegue ligar-se, ao mesmo tempo:
1. Às forças mais poderosas do seu sistema: crenças e valores que gostaria de ver materializados, pessoas e eventos que gostaria de ter na sua vida, estados emocionais que gostaria de experienciar com frequencia! E isto é mesmo transcendente...
2. À consciência de que são as escolhas feitas sobre a utilização dos seus recursos que vão ditar os seus resultados futuros, tal como foram as escolhas passadas que geraram os resultados actuais. E isto é mesmo simples...
Nos workshops apresentei uma listagem de 5 coisas que tenho observado serem fortes alavancas de todo o processo. Quando estão presentes, as pessoas e organizações que se entregam à definição de objectos SPIDER, geram mais e melhores resultados. Convido-os a observarem, analisarem e interiorizarem estes 5 princípios!
Princípio n.º1: Estar GRATO pelo que já se tem.
Quando substituímos o "quando atingir os meus objectivos serei feliz" pelo "já sou feliz e agora vou alcançar estes objectivos importantes para mim", os resultados disparam. Parece que quando manifestamos gratidão por tudo aquilo que já temos, somos e fazemos, dizemos simultaneamente a nós próprios que os nossos objectivos são muito importantes e não nos fazem FALTA. Apenas os queremos, não necessitamos deles!
Princípio n.º2: Estar disposto a pagar o PREÇO
A caminho dos nossos objectivos, teremos provavelmente preços a pagar. Podem ser preços físicos (usar a nossa energia para fazer algo), emocionais (introduzir novos estímulos nos relacionamentos ou sair da nossa zona de conforto, p.ex.) ou até financeiros. Quando temos uma clara noção de que para chegar onde queremos haverá preços a pagar e o aceitamos antecipadamente, o processo tende a ser mais poderoso e efectivo, além de ser mais fácil lidar com... o preço!
Princípio n.º3: Estar disposto a abdicar de COISAS BOAS
No caminho existirão também coisas boas! A caminho da relação para nós perfeita, haverá desenvolvimentos positivos com os quais nos podemos contentar antes da chegada ao objectivo. Antes de conseguirmos o emprego perfeito, podemos receber um convite para um emprego que não sendo perfeito... é bastante razoável. Antes de chegarmos ao milhão de euros, podemos chegar ao meio milhão e reduzir a intensidade da nossa actividade rumo ao objectivo. Há quem acredite que o principal obstáculo no nosso trilho até ao objectivo serão as coisas boas que aparecerão no entretanto. Quem está conscientes disto tende a gerar melhor resultados!
Princípio n.º4: Estar disposto a jogar o JOGO
O exercício de definição de objectivos é fortemente potenciado pela crença de que as nossas acções definem os nossos resultados. Quando alguém aceita jogar o jogo dos objectivos com esta crença, os resultados tendem a disparar. Depois de alguns anos a estudar este tema, ainda não sei se é mesmo verdade que se me empenhar o suficiente encontrarei sempre uma forma de chegar ao objectivo. O que tenho observado é que quem está disposto a jogar o jogo com este pressuposto tende a chegar lá ;-)
Princípio n.º5: Estar consciente das REGRAS
Uma das mais importantes regras deste jogo a que convencionamos chamar vida é a existência do factor tempo. Ele é escasso, não sabemos quando termina e aparentemente as nossas escolhas são sobretudo escolhas de alocação de tempo. Quem percebe esta noção tem uma maior tendência a fazer escolhas poderosas rumo aos objectivos AGORA.
Espero que estas importantes dicas possam ser úteis para que 2011 seja um ano
Sempre
Pleno de
Inspiração e
Dupla
Energia
Renovadora

Um ano SPIDER! Sinta-se livre para partilhar e usar este texto com pessoas que sejam importantes para si e a quem queira proporcionar um ano cheio de amor e conquistas.
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
Uma reflexão sobre objectivos
Daqui a umas horas vou facilitar o workshop SPIDER 2011, no Estádio do Bessa (Porto) com mais de uma centena de participantes inscritos (e amanhã estaremos em Lisboa!). Depois de 3 anos a estudar objectivos tenho algumas coisas interessantes para partilhar, espero!

Aqui estão algumas das reflexões para 2011, que aqui antecipo:
1. Definir objectivos ambiciosos às vezes afasta-nos do sentimento de gratidão por aquilo que já temos. A gratidão é uma excelente base para podermos definir objectivos. É aquilo que nos permite passar de "quando atingir estes objectivos serei feliz" para "já sou feliz e quero concretizar estes objectivos". Vai um mundo de diferença (e felicidade) entre as duas frases.
2. Quando começo a ligar-me à definição de objectivos posso fazê-lo a partir de duas psicologias básicas:
a) tudo é possível
b) sim, mas
Quando uso a) entro num mundo de sonho e fantasia, sinto-me livre e infantil, deixo-me guiar pelo prazer e assisto à concepção de um novo mundo, que irradia aquilo que faz mais sentido para mim. Curiosamente, neste mundo (quando desenhado por diferentes pessoas) existem frequentemente elevados níveis de contribuição, partilha e amizade entre todas as pessoas.
Quando uso b) castro em poucas fracções de segundo qualquer ideia que brote no meu íntimo, pois os meus mecanismos de adequabilidade da imaginação à "realidade" disparam por todos os lados, avisando de que "sim" isto é giro, "mas" não é possível ou não depende de mim.
Quando uso muito b) deixo que aquilo que já é continue a ser e evito que aquilo que não é possa vir a ser. (vale a pena reler esta...) E afinal era aquilo que não é que eu queria que fosse...
Richard Dawkins (um autor em relação ao qual me divido na apreciação do seu trabalho e que há muitos anos se esforça para provar que Deus não existe) tem uma expressão curiosa para esta ideia de imaginar o futuro à luz do passado: "código dos mortos"... Esta dá mesmo que pensar e vou ficar por aqui... por hoje!

Aqui estão algumas das reflexões para 2011, que aqui antecipo:
1. Definir objectivos ambiciosos às vezes afasta-nos do sentimento de gratidão por aquilo que já temos. A gratidão é uma excelente base para podermos definir objectivos. É aquilo que nos permite passar de "quando atingir estes objectivos serei feliz" para "já sou feliz e quero concretizar estes objectivos". Vai um mundo de diferença (e felicidade) entre as duas frases.
2. Quando começo a ligar-me à definição de objectivos posso fazê-lo a partir de duas psicologias básicas:
a) tudo é possível
b) sim, mas
Quando uso a) entro num mundo de sonho e fantasia, sinto-me livre e infantil, deixo-me guiar pelo prazer e assisto à concepção de um novo mundo, que irradia aquilo que faz mais sentido para mim. Curiosamente, neste mundo (quando desenhado por diferentes pessoas) existem frequentemente elevados níveis de contribuição, partilha e amizade entre todas as pessoas.
Quando uso b) castro em poucas fracções de segundo qualquer ideia que brote no meu íntimo, pois os meus mecanismos de adequabilidade da imaginação à "realidade" disparam por todos os lados, avisando de que "sim" isto é giro, "mas" não é possível ou não depende de mim.
Quando uso muito b) deixo que aquilo que já é continue a ser e evito que aquilo que não é possa vir a ser. (vale a pena reler esta...) E afinal era aquilo que não é que eu queria que fosse...
Richard Dawkins (um autor em relação ao qual me divido na apreciação do seu trabalho e que há muitos anos se esforça para provar que Deus não existe) tem uma expressão curiosa para esta ideia de imaginar o futuro à luz do passado: "código dos mortos"... Esta dá mesmo que pensar e vou ficar por aqui... por hoje!
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
"Férias com crianças não são férias!"
Ontem, ao ouvir a Prova Oral da Antena3, achei muito interessante um comentário de uma ouvinte que, depois de se ter apresentado como "mãe galinha", disse que "férias com crianças não são férias". Conversa puxa conversa e rapidamente alguém no estúdio (uma das convidadas, penso) disse que também de qualquer forma eles mais tarde não se iriam lembrar das viagens. Ou seja, pareceu ser por instantes, o consenso, levar crianças pequenas numa viagem de férias é por um lado uma "seca" para os pais e, por outro lado ainda, um desperdício de dinheiro! (pois a criancinha nem sequer vai ter memórias na idade adulta que justifiquem o preço pago para levar o pirralho).
Observei com atenção e deliciei-me com o leque alargado de objectivos que os pais podem ter quando... decidem tornar-se pais! Pois se uns querem sobretudo vivenciar novas e experiências e estados emocionais em conjunto com os recém-chegados, outros procuram criar alterações mínimas no seu estilo de vida e contribuir para uma rápida chegada das crianças a estágios de independência. Para a maior parte dos pais, será provavelmente desejada uma combinação destas duas atitudes, por forma a poderem envolver-se na vida dos seus filhos e simultaneamente poderem usufruir também dos seus momentos a sós ou com os seus parceiros românticos.
Serve este texto apenas e só para chamar a atenção para o aparente perigo que é tomar decisões em relação a crianças com base nas memórias que elas possam vir a guardar. É que se de facto os mecanismos de memória de longo prazo parecem estar completamente formados só a partir dos 4/5 anos, por outro é bem sabido que o período mais importante de influência dos pais sobre a progressão das redes neuronais dos filhos (e a parte das quais a que alguns convencionam chamar de "identidade") é precisamente nos primeiros 5 anos de vida!
Ou seja, claro que podemos optar por deixar os filhos em casa quando vamos para férias, no problem. Agora querer que isto não deixe qualquer tipo de impacto inconsciente sobre as crianças... Isso já será neurologicamente parvo! Dá que pensar, não dá?
Observei com atenção e deliciei-me com o leque alargado de objectivos que os pais podem ter quando... decidem tornar-se pais! Pois se uns querem sobretudo vivenciar novas e experiências e estados emocionais em conjunto com os recém-chegados, outros procuram criar alterações mínimas no seu estilo de vida e contribuir para uma rápida chegada das crianças a estágios de independência. Para a maior parte dos pais, será provavelmente desejada uma combinação destas duas atitudes, por forma a poderem envolver-se na vida dos seus filhos e simultaneamente poderem usufruir também dos seus momentos a sós ou com os seus parceiros românticos.
Serve este texto apenas e só para chamar a atenção para o aparente perigo que é tomar decisões em relação a crianças com base nas memórias que elas possam vir a guardar. É que se de facto os mecanismos de memória de longo prazo parecem estar completamente formados só a partir dos 4/5 anos, por outro é bem sabido que o período mais importante de influência dos pais sobre a progressão das redes neuronais dos filhos (e a parte das quais a que alguns convencionam chamar de "identidade") é precisamente nos primeiros 5 anos de vida!
Ou seja, claro que podemos optar por deixar os filhos em casa quando vamos para férias, no problem. Agora querer que isto não deixe qualquer tipo de impacto inconsciente sobre as crianças... Isso já será neurologicamente parvo! Dá que pensar, não dá?
sábado, 1 de janeiro de 2011
Maratona de Ano Novo!
Acordei. Último dia do ano de 2010. A preguiça apoderou-se do meu corpo, resistindo ao facto de serem apenas 6h da manhã e de ter tido pouco mais de quatro horas de sono. E então lembrei-me...
No dia 22 de Dezembro, estando no Sul da Suécia a gozar umas merecidas férias de Natal com a minha família, fiz a minha primeira incursão de corrida na neve. No dia 5 de Dezembro. havia terminado penosamente a Maratona de Lisboa em 4h45 e tinha decidido que descansaria até final do ano. Mas a neve, tão apetitosa, chamou por mim! O primeiro treino foi muito divertido, ao longo de 7 kms enfrentei a temperatura (-12º) com um sentimento infantil, fascinado pelo som das sapatilhas a mergulharem na neve. Com um ritmo reduzido pela neve e com a respiração dificultada pelo frio, ainda assim mantive uns 6'00/km.
No dia seguinte voltei a correr e quando cheguei a casa disse à minha companheira que tinha acabado de definir um novo objectivo, correr uma meia maratona até final do ano. Poucas horas depois, a minha cunhada, chegada de Copenhaga, diz-me que alguns colegas de trabalho vão correr uma Meia Maratona no dia 31.12, a Social Marathon. Fiquei super entusiasmado, agradeci a sincronicidade ao Universo e decidi ali mesmo que iria testar a minha corrida no frio. Logo depois ela deixou escapar que também havia Maratona completa... Ups!
Correr na neve é como parecido com correr na areia, há que levantar um pouco mais os joelhos. A maior dificuldade é mesmo aprender a ler os sinais corporais. Durante os primeiros treinos não fazia ideia se tinha sede ou não, se estava com frio ou calor, se devia usar mais ou menos roupa, se estava na hora de ingerir algum alimento... Mesmo assim, fiquei satisfeito com a minha reacção ao novo cenário e lá foi crescendo dentro de mim a vontade de me "mandar" para a Maratona completa, apesar de apenas ter corrido esta distância duas vezes na minha vida (Maratonas do Porto 2007 e Lisboa 2010).
Na viagem de avião para terras nórdicas tinha lido "Nascidos para Correr", que criou forte impacto no meu sistema de crenças e acabou por me impulsionar a levar os treinos até aos 15kms, no dia de Natal. Ainda assim, apenas na véspera da Corrida, decidi contactar a organização e avisar que afinal me queria juntar aos maratonistas.
No dia 31, lá me levantei então, enfrentei a noite e o frio, apanhando o comboio para Copenhaga (passando pela c+elebre ponte que une Suécia e Dinamarca). Durante a noite a temperatura tinha subido até uns perigosos 0º, o que queria dizer que havias fortes possibilidades de alguma neve descongelar e congelar outra vez, transformando-se em perigosas camadas de gelo, sobre o qual é virtualmente impossível caminhar em segurança, quanto mais correr! Aliás, a primeira passada fora de casa resultou imediatamente numa quase queda!
Cheguei a Copenhaga pouco antes da 8h, apanhei o metro e às 8h30 estava no local de levantamento dos dorsais. A Social Marathon é um evento peculiar, sem cronómetro, os participantes inscrevem-se em grupos consoante o tempo que acham que vão fazer. Eu juntei-me o grupo das 4h30, embora com claras dúvidas de que pudesse aguentar o ritmo. O percurso é constituído por um circuito de 21.092 mts, que os maratonistas percorrem duas vezes, uma em cada direcção. Os grupos vão saindo alternadamente em sentidos opostos, o que garante que durante a corrida nos cruzamos muitas vezes, originando um ambiente de estímulo recíproco. Muito bom!
Durante a prova existem várias estações de abastecimento muito bem compostas, onde os grupos param para se reagrupar, o que garante em média 2 a 3 minutos de boa disposição com um copo de chá quente e bolo de chocolate!
Às 8h45 partimos, liderados por um jovem de 62 anos (Jens Rua) com uma pedalada impressionante e que zelou ao longo de toda a prova pelos cerca de 60 corredores do meu grupo (no total cerca de 300 pessoas participaram neste evento/ celebração).
Durante a corrida, as minhas crenças pessoais foram sendo sucessivamente arrasadas, e aqui reside o principal ponto de interesse para o Neuroestratega que acompanha este blogue...
Primeira conversa longa com um oficial do exercito dinamarquês, recentemente de volta do Iraque, e que me afirma que está a completar a sua 21.ª maratona... de 2010! Dei-lhe os parabéns pelo feito e logo ele dirige a minha atenção para um outro membro do grupo que está a realizar a sua 120ª maratona do ano... Imaginem, uma maratona de 3 em 3 dias ao longo de um ano inteiro! E durante a corrida, encontrei ainda o recordista de maratonas da Dinamarca (com mais de 400) e o da Suécia (com mais de 700). Devo confessar que estes super maratonistas me ajudaram a ver com energia redobrada a minha capacidade de completar esta prova!
A passagem por alguns lugares interessantes da cidade de Copenhaga foi totalmente ofuscada pelos vários quilómetros de corrida na praia. Com a água congelada e o areal transfigurado pela neve, pareceu-me mesmo que estávamos a correr... na Lua! A fina camada de gelo que cobria o passeio pedonal transformou esses quilómetros numa verdadeira aventura de sobrevivência, muito dura para as articulações do tornozelo e joelho, bem testadas pelo irregularidade do duro piso.
Com a energia transmitida por este grupo de super corredores cheguei sem dificuldades de maior aos 30kms e a partir daí tive que cerrar 2 ou 3 vezes os dentes para fazer face aos sinais da "parede", desta vez bem gelada!
O último chá, aos 37kms, foi um tónico extraordinário para enfrentar a derradeira etapa com um sorriso na cara e chegar ao final em 4h37, ligeiramente atrás da cabeça do grupo. Os corredores reuniram-se depois para champanhe e um mega desejo de Feliz Ano Novo!
Esta foi a primeira prova em que, cheio de convicção, escrevi o nome de Porto Runners (clube ao qual recentemente aderi) aquando da inscrição, acredito que deixei o clube bem representado!
A melhor recordação que trouxe de Copenhaga, para além de um convívio fenomenal com homens e mulheres de todas as idades com um estilo de vida activo e saudável, foi a crença redobrada na capacidade que todos temos de ultrapassar os obstáculos que se nos apresentam desde que possuamos um motivo suficientemente forte para o fazer. O meu motivo foi o de representar nesta corrida o meu ano de 2010, que conteve alguns dos maiores desafios da minha vida e que, tal como esta Maratona, foram sendo ultrapassados um a um... Isso já são histórias para outro post, no entanto!
Boas corridas em 2011 (as literais e as metafóricas)!
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