Mais info em www.pedrovieira.net

Mais info em www.pedrovieira.net
Mais info em www.pedrovieira.net

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

O Efeito Placebo e a Saúde

Ontem à noite, por sugestão da irmã da minha companheira, tive acesso ao episódio de estreia de uma nova série da TV dinamarquesa dedicado ao estudo de questões da psique. Neste programa inaugural, foram entrevistados vários especialistas e investigadores da área médica nos Estados Unidos, Itália e Dinamarca. Foram apresentados vários estudos, dos quais irei dando conta aqui no blogue nas próximas semanas. Chamou-me a atenção, pela sua expressividade, este caso, documentado com imagens...



1. Foi constituído na Dinamarca um grupo de estudo da depressão e do impacto dos medicamentos anti-depressivos (um dos grandes mistérios da medicina actual... funcionam? como exactamente?)

2. Como habitualmente metade dos pacientes (clinicamente deprimidos) foi tratado apenas com recurso a um placebo (cápsulas inócuas, simulando o medicamento "real")

3. Um dos elementos do estudo, severamente deprimido, teve uma zanga com a namorada e decidiu suicidar-se, engolindo na totalidade o conteúdo do frasco que lhe tinha sido entregue para administração diárias das cápsulas

4. O rapaz deu entrada nas urgências do hospital com frequência cardíaca em repouso de 110, tensão arterial 8/4 e outros sintomas resultado da overdose.

5. Após várias horas de tentativas do staff médico para fazer o sistema do rapaz voltar ao seu funcionamento normal, através dos procedimentos habituais nestes casos, os parâmetros mantiveram-se e os médicos temeram o pior.

6. Foi chamado ao local o responsável pelo estudo, que rapidamente informou o rapaz que ele se encontrava no grupo a quem tinha sido entregue o placebo.

7. Em 15 minutos os parâmetros voltaram ao normal e o rapaz deixou as urgências.

Deveras interessante e a deixar espaço para algumas questões pessoais:

a) será que todos temos a capacidade de, de acordo com aquilo em que acreditamos, alterar de forma rápida e significativa a forma como o nosso sistema funciona?

b) será que mais do que termos ou não essa capacidade, essa é simplesmente a forma como o nosso sistema funciona... sempre?

c) se sim, que tipo de funcionamento tem o meu sistema agora e... como estou a fazê-lo? Se não gosto dos resultados, como vou alterá-los?

O que acha sobre este tema?

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Pensamento Optimista e a Guerra

O número deste mês do Journal of Occupational Health Psychology tem um interessante artigo sobre a ligação entre o impacto das experiências traumáticas na Guerra do Iraque (por parte de militares americanos) e as capacidades instaladas de "optimismo" e "resiliência".

Segundo os especialistas da Universidade do Michigan que conduziram o estudo foi encontrada evidência clara de que se os militares forem treinados para serem mais resilientes (ou seja, menos catastróficos e mais optimistas) terão a possibilidade de "funcionarem" melhor quando se encontram perante situações potencialmente traumáticas (morte de colegas, transporte de pessoas feridas, decisões de vida ou de morte, etc). O estudo indica ainda a possibilidade de estes militares com mais treino no pensamento optimista poderem vir a ter menos probabilidade de sofrerem de Stress Pós Traumático.

Felizmente, nas nossas vidas, lidamos habitualmente com situações com um menos potencial traumático. Embora também possamos estar expostos a situações limite, estas serão mais raras do que num cenário de guerra.

Assim, se o pensamento optimista funciona em cenários extremos, como funcionará nas nossas vidas? O que poderemos ganhar em desenvolver a resiliência, a noção de que no final as coisas correrão bem... a ideia de que o futuro será bom? Hoje vou pensar sobre isto...

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Inspiração

Hoje, face ao elevado número de tarefas para os próximos dias, senti que seria bom receber alguma inspiração e... encontrei este vídeo. Foi-me muito útil ;-)

http://www.youtube.com/watch?v=O4TJk56elR0

Espero que gostem!

Comportamento Gera Comportamento

Levo a minha filha à escola, saindo de casa com antecedência suficiente (normalmente) para que cheguemos antes de "tocar". Ela está na primeira classe e nos primeiros dias ficava um pouco estressada com esta história do toque. Com o passar do tempo eu fui insistindo para que ela relaxasse e percebesse que, embora seja importante zelar para que se chegue a tempo, em caso de atraso esporádico... não viria mal ao mundo.




(fiz isto inspirado pelas leituras sobre pedagogia da minha companheira e nossas discussões sobre o eventual impacto negativo sobre o bem estar das crianças da criação de ambientes matinais de alta pressão... "tens de te vestir", "já tomaste o pequeno-almoço?", "já lavaste os dentes", "estamos atrasados!", etc)

Ora, na primeira vez em que realmente nos atrasamos, quando faltavam apenas uns minutos para a hora de entrada e ainda estávamos a um bom par de quilómetros da escola, informei a minha filhota de que iriamos chegar atrasados. Para minha surpresa, reagiu com perfeita normalidade e disse "não há problema, porque a professora também chega sempre atrasada"!

Depois de explorarmos um pouco a situação, ficou claro que a professora entra normalmente na escola já depois do toque. Achei interessante, pois a "pontualidade" é avaliada nas crianças! Quando chegamos à escola, por volta das 9h05, lá estava a professora, apontada pela miúda com o dedo, a entrar...

Comportamento gera comportamento! Professores atrasados geram alunos atrasados! Chefes desmotivados geram colaboradores desmotivados! Treinadores indisciplinados geram jogadores indisciplinados! Clientes abusivos geram empregados abusivos! Estados pouco transparentes geram cidadãos pouco transparentes!

No fim, quando os primeiros avaliam os segundos, estão na realidade a avaliar quem? Boa pergunta!

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Objectivos SPIDER 2.0


No final da passada semana, em 2 workshops que contaram com mais de 230 participantes, tive a oportunidade de partilhar algumas aprendizagens sobre definição de objectivos que tenho feito desde o lançamento do método SPIDER.

A definição de objectivos surpreende-me diariamente pela sua simultânea simplicidade e transcendência. Quando alguém define objectivos para as várias áreas da sua vida de uma forma metodologicamente poderosa consegue ligar-se, ao mesmo tempo:

1. Às forças mais poderosas do seu sistema: crenças e valores que gostaria de ver materializados, pessoas e eventos que gostaria de ter na sua vida, estados emocionais que gostaria de experienciar com frequencia! E isto é mesmo transcendente...

2. À consciência de que são as escolhas feitas sobre a utilização dos seus recursos que vão ditar os seus resultados futuros, tal como foram as escolhas passadas que geraram os resultados actuais. E isto é mesmo simples...

Nos workshops apresentei uma listagem de 5 coisas que tenho observado serem fortes alavancas de todo o processo. Quando estão presentes, as pessoas e organizações que se entregam à definição de objectos SPIDER, geram mais e melhores resultados. Convido-os a observarem, analisarem e interiorizarem estes 5 princípios!

Princípio n.º1: Estar GRATO pelo que já se tem.
Quando substituímos o "quando atingir os meus objectivos serei feliz" pelo "já sou feliz e agora vou alcançar estes objectivos importantes para mim", os resultados disparam. Parece que quando manifestamos gratidão por tudo aquilo que já temos, somos e fazemos, dizemos simultaneamente a nós próprios que os nossos objectivos são muito importantes e não nos fazem FALTA. Apenas os queremos, não necessitamos deles!

Princípio n.º2: Estar disposto a pagar o PREÇO
A caminho dos nossos objectivos, teremos provavelmente preços a pagar. Podem ser preços físicos (usar a nossa energia para fazer algo), emocionais (introduzir novos estímulos nos relacionamentos ou sair da nossa zona de conforto, p.ex.) ou até financeiros. Quando temos uma clara noção de que para chegar onde queremos haverá preços a pagar e o aceitamos antecipadamente, o processo tende a ser mais poderoso e efectivo, além de ser mais fácil lidar com... o preço!

Princípio n.º3: Estar disposto a abdicar de COISAS BOAS
No caminho existirão também coisas boas! A caminho da relação para nós perfeita, haverá desenvolvimentos positivos com os quais nos podemos contentar antes da chegada ao objectivo. Antes de conseguirmos o emprego perfeito, podemos receber um convite para um emprego que não sendo perfeito... é bastante razoável. Antes de chegarmos ao milhão de euros, podemos chegar ao meio milhão e reduzir a intensidade da nossa actividade rumo ao objectivo. Há quem acredite que o principal obstáculo no nosso trilho até ao objectivo serão as coisas boas que aparecerão no entretanto. Quem está conscientes disto tende a gerar melhor resultados!

Princípio n.º4: Estar disposto a jogar o JOGO
O exercício de definição de objectivos é fortemente potenciado pela crença de que as nossas acções definem os nossos resultados. Quando alguém aceita jogar o jogo dos objectivos com esta crença, os resultados tendem a disparar. Depois de alguns anos a estudar este tema, ainda não sei se é mesmo verdade que se me empenhar o suficiente encontrarei sempre uma forma de chegar ao objectivo. O que tenho observado é que quem está disposto a jogar o jogo com este pressuposto tende a chegar lá ;-)

Princípio n.º5: Estar consciente das REGRAS
Uma das mais importantes regras deste jogo a que convencionamos chamar vida é a existência do factor tempo. Ele é escasso, não sabemos quando termina e aparentemente as nossas escolhas são sobretudo escolhas de alocação de tempo. Quem percebe esta noção tem uma maior tendência a fazer escolhas poderosas rumo aos objectivos AGORA.

Espero que estas importantes dicas possam ser úteis para que 2011 seja um ano

Sempre
Pleno de
Inspiração e
Dupla
Energia
Renovadora




Um ano SPIDER! Sinta-se livre para partilhar e usar este texto com pessoas que sejam importantes para si e a quem queira proporcionar um ano cheio de amor e conquistas.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Uma reflexão sobre objectivos

Daqui a umas horas vou facilitar o workshop SPIDER 2011, no Estádio do Bessa (Porto) com mais de uma centena de participantes inscritos (e amanhã estaremos em Lisboa!). Depois de 3 anos a estudar objectivos tenho algumas coisas interessantes para partilhar, espero!




Aqui estão algumas das reflexões para 2011, que aqui antecipo:

1. Definir objectivos ambiciosos às vezes afasta-nos do sentimento de gratidão por aquilo que já temos. A gratidão é uma excelente base para podermos definir objectivos. É aquilo que nos permite passar de "quando atingir estes objectivos serei feliz" para "já sou feliz e quero concretizar estes objectivos". Vai um mundo de diferença (e felicidade) entre as duas frases.

2. Quando começo a ligar-me à definição de objectivos posso fazê-lo a partir de duas psicologias básicas:
a) tudo é possível
b) sim, mas

Quando uso a) entro num mundo de sonho e fantasia, sinto-me livre e infantil, deixo-me guiar pelo prazer e assisto à concepção de um novo mundo, que irradia aquilo que faz mais sentido para mim. Curiosamente, neste mundo (quando desenhado por diferentes pessoas) existem frequentemente elevados níveis de contribuição, partilha e amizade entre todas as pessoas.

Quando uso b) castro em poucas fracções de segundo qualquer ideia que brote no meu íntimo, pois os meus mecanismos de adequabilidade da imaginação à "realidade" disparam por todos os lados, avisando de que "sim" isto é giro, "mas" não é possível ou não depende de mim.

Quando uso muito b) deixo que aquilo que já é continue a ser e evito que aquilo que não é possa vir a ser. (vale a pena reler esta...) E afinal era aquilo que não é que eu queria que fosse...

Richard Dawkins (um autor em relação ao qual me divido na apreciação do seu trabalho e que há muitos anos se esforça para provar que Deus não existe) tem uma expressão curiosa para esta ideia de imaginar o futuro à luz do passado: "código dos mortos"... Esta dá mesmo que pensar e vou ficar por aqui... por hoje!

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

"Férias com crianças não são férias!"

Ontem, ao ouvir a Prova Oral da Antena3, achei muito interessante um comentário de uma ouvinte que, depois de se ter apresentado como "mãe galinha", disse que "férias com crianças não são férias". Conversa puxa conversa e rapidamente alguém no estúdio (uma das convidadas, penso) disse que também de qualquer forma eles mais tarde não se iriam lembrar das viagens. Ou seja, pareceu ser por instantes, o consenso, levar crianças pequenas numa viagem de férias é por um lado uma "seca" para os pais e, por outro lado ainda, um desperdício de dinheiro! (pois a criancinha nem sequer vai ter memórias na idade adulta que justifiquem o preço pago para levar o pirralho).

Observei com atenção e deliciei-me com o leque alargado de objectivos que os pais podem ter quando... decidem tornar-se pais! Pois se uns querem sobretudo vivenciar novas e experiências e estados emocionais em conjunto com os recém-chegados, outros procuram criar alterações mínimas no seu estilo de vida e contribuir para uma rápida chegada das crianças a estágios de independência. Para a maior parte dos pais, será provavelmente desejada uma combinação destas duas atitudes, por forma a poderem envolver-se na vida dos seus filhos e simultaneamente poderem usufruir também dos seus momentos a sós ou com os seus parceiros românticos.

Serve este texto apenas e só para chamar a atenção para o aparente perigo que é tomar decisões em relação a crianças com base nas memórias que elas possam vir a guardar. É que se de facto os mecanismos de memória de longo prazo parecem estar completamente formados só a partir dos 4/5 anos, por outro é bem sabido que o período mais importante de influência dos pais sobre a progressão das redes neuronais dos filhos (e a parte das quais a que alguns convencionam chamar de "identidade") é precisamente nos primeiros 5 anos de vida!

Ou seja, claro que podemos optar por deixar os filhos em casa quando vamos para férias, no problem. Agora querer que isto não deixe qualquer tipo de impacto inconsciente sobre as crianças... Isso já será neurologicamente parvo! Dá que pensar, não dá?