Mais info em www.pedrovieira.net

Mais info em www.pedrovieira.net
Mais info em www.pedrovieira.net

quarta-feira, 2 de março de 2011

Manual do Manipulador - Parte 5

O Manual está de volta! Desta vez partilho uma estratégia muito popular e que surge frequentemente associada a uma das quatro anteriores (para aceder à parte 4 do Manual, clique aqui).

Quando o Manipulador se sente atacado pela Vítima... ok, já deve ter percebido que isto acontece com alguma frequência... acredito que isto deve acontecer porque o Manipulador ataca muito e às vezes é exposto e recebe um contra-ataque comunicacional!

Bem, voltando, ao Manual... Quando o Manipulador se sente contra-atacado pela Vítima utiliza por vezes a estratégia da MINIMIZAÇÃO, criando rapidamente um impacto no interlocutor menos preparado. Dou um exemplo:

- Foste muito agressivo comigo...
- Ah, estava a brincar!

Através da MINIMIZAÇÃO, o Manipulador força uma ressignificação do seu comportamento por parte da Vítima. Repare, esta estratégia é de manipulação apenas porque o Manipulador não está a ser sincero (claro que poderia mesmo ter brincado e sido interpretado como agressivo), está apenas a dissimular a intenção original, para assim induzir determinado comportamento na Vítima.

Talvez esteja neste momento perto de algum Manipulador Minimizador! Estes sentem-se bastante seguros, pois podem lançar "farpas" e minimizá-las à posteriori se não alcançarem o objectivo desejado. Outro exemplo:

- O que achas do Luís? Dizem que pode vir a ser o próximo chefe de equipa.
- É um autêntico parvalhão, devíamos garantir que ele não é promovido.
- Eu cá acho que ele é óptimo.
- Ah... pois, eu também, estava só a testar-te para ver se também gostavas dele. Há que ter cuidado com as pessoas neste departamento que têm por  vezes inveja dos outros, sabes?

A melhor forma de expôr a MINIMIZAÇÃO é mostrar ao Manipulador que continuamos a sentir que o seu comportamento teve gravidade num determinado contexto (ou que não gostamos dele) e pedir que no futuro seja mais claro, em vez de usar subterfúgios.

E, claro, já agora, reflicta também sobre as situações em que se apanha a si a usar esta estrategia! Ainda ontem me apanhei a mim a minimizar um comentário que fiz, mas... não foi nada de especial ;-)

terça-feira, 1 de março de 2011

O Amor é Científico?

Quando procuramos sistematizar a nossa experiência, com vista à sua melhor compreensão (se é que isso é importante para um de nós num determinado momento), podemos utilizar vários métodos:

1) Utilizar a nossa própria experiência como referencial, valorizando as nossas sensações e processos internos

2) Observar o comportamento dos outros, aquilo que exteriorizam através do corpo e da linguagem

3) Medir sinais internos, como por exemplo através de ressonância magnética, electroencefalograma ou outros processos

Imagine que quer, por exemplo, aumentar o seu grau de consciência ou compreensão em relação ao fenómeno do amor... que método vai utilizar?

Será que vai valorizar as suas sensações internas? Será que vai valorizar aquilo que consegue observar nos outros? Ou será que apenas vai "acreditar" em medições rigorosas de processos químicos e eléctricos ocorridos dentro do sistema?

A resposta a estas simples questões podem fazer como que "viva" de forma mais associada ou mais dissociada! Ao longo da minha vida tenho encontrado muitas pessoas que têm a ambição de se dissociarem das suas emoções (tendo-as como não lógicas e assim inferiores). E outras que as valorizam imenso, ao ponto de tomarem como inferiores o raciocínio e a lógica.

Explore um pouco aquilo que o seu mapa do mundo diz sobre estas questões em relação ao amor, p.ex., e talvez possa divertir-se durante um dia ou dois a imaginar como será viver num outro mapa mundo...

Por exemplo, se é muito "sentimental", faça de conta que apenas lhe interessa aquilo que for realmente "científico" no amor... Se for muito "lógico", brinque ao faz-de-conta, valorizando apenas o que pode sentir...

E, claro, partilhe depois a experiência com as pessoas mais próximas! Talvez descubra que o amor é mesmo científico... pois pode senti-lo sempre que o quiser! ;-)

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

O Cientista Cheio de Certezas

Esta é a história de um Cientista, um homem que praticava e valorizava apenas e só aquilo que ele apelidava de Ciência. Sempre que recebia um estímulo externo, avaliava-o imediatamente à luz da Ciência, descartando-o como "errado" ou "desprezível" se não possuísse uma sólida base científica.

Este homem tinha dificuldade em criar ligação com outras pessoas, pois rapidamente atacava aquilo que diziam, menosprezando as suas crenças. Dizia a bom dizer que apenas aquilo que era publicado em sonantes revistas científicas merecia ser tido em conta.

Como tinha dificuldade em compreender o significado da subjectividade (pois não era cientifico) nem sequer valoriza o trabalho de muitos dos seus colegas cientistas, já que muitos deles seguiam caminhos "errados".

Estava cheio de certezas e isso "via-se" na forma como falava e se comportava.

O mais engraçado é que este homem, que tanto sabia, tinha nascido sem saber porquê. Fazia o que fazia sem ter a mínima ideia da razão que o impulsionava a isso e não a outra coisa. E, a cada dia que passava, se aproximava da morte sem a poder contemplar (pois tal seria não cientifico).

Até que um dia, aprender a fazer novas perguntas, a olhar para as suas certezas como meras percepções pessoais, a valorizar os outros. Sentiu felicidade a um nível que era antes difícil de imaginar e compreendeu finalmente o que Ciência realmente pode querer dizer!

Foi realmente uma sensação única e transformadora perceber pela primeira vez que a Certeza pode advir não da eliminação da Incerteza e sim da sua completa Aceitação! E houve até quem o ouvisse dizer, entre dentes, que no passado se tinha julgado um génio quando na realidade nunca tão longe da genialidade tinha estado quando negava a possibilidade, em vez de a abraçar... percebia agora!

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Uma frase que pode mudar uma vida?

Para pensar e reflectir... Ando a fazê-lo há anos com esta frase em particular. E os resultados têm sido fantásticos. Sim, há mesmo frases que têm o dom de alavancar os nossos resultados de forma exponencial. Claro que é necessário dar tempo à frase...

- Pense no facto de não ser possível não pensar naquilo em que não queremos pensar para podermos não pensar nisso mesmo... E, claro, agora experimente não pensar nisso!

(Vá para além do óbvio nesta frase e deixe que o seu significado mais profundo assente no seu inconsciente... e depois repare na magia que as palavras podem trazer à sua vida... ah, quase me esquecia que a magia não existe!)

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Uma dica de comunicação... muito importante!

Nas palestras sobre comunicação faço regularmente uma pequena brincadeira sobre a pessoa "que em vez de dizer o que quer e não dizer o que não quer... diz o que não quer e não diz o que quer"! Esta brincadeira é inspirada num momento pessoal de grande aprendizagem, o momento em que comecei a perceber com mais profundidade o real significado daquilo que dizia...

Há uns dias, ouvindo a TSF, reparei com interesse na frase proferia por uma autora, justificando o facto do livro ter 160 páginas... "Foi para não se tornar demasiado cansativo"! Bolas, assim planta-se logo no ouvinte a ideia de que o livro é cansativo. Duvido que a intenção da autora fosse classificar o seu livro desta forma. Resultado... esqueci o título! Só porque aprecio pouco livros cansativos...

Quando me pedem ajuda para melhorar competências pessoais de comunicação, partilho regularmente esta dica...

"Fale daquilo que quer e não daquilo que não quer!" (para os mais avançados estudiosos da comunicação verbal, reflictam lá um pouco sobre esta dupla negação e o seu efeito...)

Experimente observar aquilo que diz nas próximas interacções e repare se esta dica é valiosa para si!

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Manual do Manipulador - Parte 4

O MANIPULADOR utiliza muitas e belas técnicas para alcançar os seus desideratos. Este Manual tem como objectivo preparar os seus leitores para melhor lidarem com as técnicas do Manipulador e estarem assim menos expostos enquanto Vítimas.

Depois de em posts anteriores termos abordado a MENTIRA, a MENTIRA POR OMISSÃO e a NEGAÇÃO, chegou a altura de analisarmos mais uma interessante estratégia. Confesso que esta é uma das mais duras de contrariar e pode ser necessário um comunicador experiente para a expôr.

Quando o Manipulador é confrontado com algum comportamento ou declaração julgada pela Vítima como pouco apropriada, o Manipulador recorre com frequência à RACIONALIZAÇÃO.

A RACIONALIZAÇÃO é a actividade de encontrar justificações lógicas e argumentação racional para tornar o comportamento aceitável e assim induzir uma alteração do estado emocional (e consequentes decisões) da Vítima.

É difícil lidar com esta estratégia pois, mal usada, remete imediatamente a Vitima para a análise do argumento, desviando-a do comportamento em causa. Pessoas com elevada capacidade de raciocínio podem rapidamente construir justificações lógicas elaboradas e alterar a intenção original da Vítima, principalmente se esta se sentir pouco à vontade no terreno lógico e/ou tiver fraca capacidade para entender a real intenção da racionalização.

Imagine que o Manipulador é confrontado com um comentário da Vítima que lhe diz que "ontem não me contaste toda a verdade sobre o que aconteceu com aquele cliente". O Manipulador pode abster-se de se pronunciar sobre a acusação de falsidade e racionalizar o seu comportamento, com frases como "fiz isso porque sabia que irias ficar perturbado com a informação", "como sei que o teu tempo é importante só te passei a informação mais relevante", "estava à espera do melhor momento para falar contigo com calma sobre isso". Em qualquer destas situações, o Manipulador consegue transformar a "falta" numa vantagem para si (apenas queria defender o interlocutor, claro!)

A melhor forma de lidar com a racionalização é expô-la ou  ignorá-la, mantendo o controlo da conversação e evitando entrar na discussão sobre a validade da racionalização (o que aconteceria com um "como é que sabes que iria ficar perturbado?", "porque é que achaste que essa informação não era relevante?", etc)

Lembre-se que frequentemente a RACIONALIZAÇÃO é apenas uma arma desgastante do Manipulador!

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

A Neura e a Responsabilidade



Ontem, em determinado momento do dia, recebi um telefonema que me fez escolher ficar com a... neura! Que é como quem diz... triste e desmotivado, sem vontade de fazer nada...

Repararam certamente na formulação da frase inicial... Bem, na realidade, esta formulação ("me fez escolher") já é uma melhoria em relação à sensação inicial. Sim, pois quando o telefonema aconteceu, a primeira formulação foi "o telefonema FEZ-ME ficar com a neura". Percebem a diferença gigantesca entre as duas descrições? Numa há escolha, noutra não!

Ora, de que vale tal escolha se não consigo percepcioná-la? É que só depois de ficar com a... neura... é que ganhei consciência de que certa forma tal era minha escolha. Entretanto... já a tinha!

Sigmund Freud acreditava que o inconsciente (ele preferia chamar-lhe de subconsciente, lembrando que fica "abaixo", o que também pode pressupôr algum tipo de inferioridade lógica) era consituído por uma série de forças lutando desesperadamente para atingir o estado consciente.

Pessoalmente, prefiro a visão de John Grinder, segundo o qual o inconsciente é constituído por toda a parte do meu sistema a que não consigo prestar atenção agora. Ora, quando me lembro que devo ter feito algum tipo de escolha inconsciente que me fez experienciar o belo estado de neura, então trago essa parte do meu sistema para o consciente e posso começar a trabalhar afincadamente sobre ela.

Também posso, se possuir as ferramentas apropriadas, intervir directamente sobre o inconsciente (intervenções conscientes sobre o inconsciente... Hummm, parece-me assunto para um futuro post sobre PNL).

De qualquer das formas, o mais importante parece ser a alteração que acontece internamente quando alguém aceita que deve ter existido uma escolha, pois aí se introduz e pratica o princípio da RESPONSABILIDADE! Se tive uma escolha (mais uma vez... mesmo que inconscientemente) então sou logicamente responsável pelos meus resultados. Os telefonemas não provocam emoções... as escolhas sobre os telefonemas... sim!

Observe por uns instantes as coisas que, na sua vida, lhe estão agora a dar a neura... ou melhor, observe as coisas que estão a permitir que ESCOLHA aceder à neura... aceite a sua RESPONSABILIDADE e comece a observar as alterações emocionais!

E, claro, sinta-se à vontade para fazer perguntas, o meu email fica à sua disposição.

Boas Neuras ;-)